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Dicionário Winnicott / Winnicott Dictionary

A linguagem da psicanálise winnicottiana / The Language of Winnicott´s Psychoanalysis

quarta-feira 1º de outubro de 2014, por webmaster

Período: 2014-2019
Pesquisador responsável
Prof. Dr. Zeljko Loparic (DF-Unicamp, CLE-Unicamp, PUCPR e Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana – SBPW)

1. Resumo do Projeto de pesquisa

Winnicott foi e continua sendo reconhecido por muitos como um clínico genial, que, contudo, não trouxe uma contribuição nova e decisiva à teoria psicanalítica. Não raramente as suas contribuições à psicanálise são consideradas uma simples extensão da psicanálise freudiana, ampliada por M. Klein. Essa visão sobre Winnicott foi contestada, há bastante tempo, por vários de seus interlocutores. Já nos anos 1950, Masud Khan sustentou a teses de que a distinção conceitual e terminológica winnicottiana entre “necessidades do ego” e “necessidades do id” constitui “uma mudança revolucionária de ênfase no pensamento analítico e na prática contemporâneos” (in Winnicott, 1958, p. XV). Em 1968, M. Balint enalteceu Winnicott como “o mais versátil criador” de novos termos teóricos da psicanálise (Balint, p. 168) e sugeriu que uma “nova linguagem” própria da “Escola de manejo”, diferente das escolas freudiana e kleiniana, poderia ser desenvolvida “sob a influência das ideias de Winnicott” (p. 116). Em 1975, A. Green chegou a afirmar que as contribuições de Winnicott colocam em pauta a pergunta pelo futuro da psicanálise, a qual, não raramente, permanece apegada a posições teóricas e clínicas ultrapassadas e se furta, dessa maneira, à necessidade de, diante de impasses teóricos e clínicos, buscar alternativas, renovar-se periodicamente, estender o seu alcance, submeter seus conceitos a modificações radicais, compromissada, como era em Freud, com a autocrítica (Green, 2013[1975], p. 193). No seu livro Boundary and Space (1981), Davis e Wallbridge sublinham que a novidade da contribuição de Winnicott consistia na introdução de uma “outra linguagem” para fenômenos da vida humana e da clínica até então não nomeados pela psicanálise (p. 116).
Pouco mais tarde, Greenberg e Mitchell (1983), continuando as abordagens anteriores de Modell (1968) e Lifton (1976), entre outros, fizeram um avanço decisivo ao proporem explicitamente uma leitura de Winnicott segundo a qual a sua contribuição à psicanálise consistia numa revolução do tipo kuhniano e não numa simples ampliação ou atualização do paradigma freudiano. O uso de Kuhn é justificado da seguinte maneira:
Estamos sugerindo que a abordagem de Kuhn do desenvolvimento das ideias científicas e a sua definição dos modelos como compromissos metafísicos são altamente aplicáveis à história do pensamento psicanalítico e constituem um modo útil de abordagem dos diferentes estágios da construção de teorias. (1983, p. 19)

Mais recentemente, a leitura da contribuição winnicottiana à história da psicanálise a partir da perspectiva kuhniana foi adotada por Joyce McDougall (1997, p. 226) e, em 2000, Mitchell reafirmou as teses que defendeu em 1983 com Greenberg.
O fato de Winnicott ter operado “mudanças revolucionárias”, criando um novo “paradigma” ou uma nova “matriz” na psicanálise, foi reconhecido, a partir dos anos 1980, com mais força ainda, embora nem sempre com a referência explícita a Kuhn, por A. Phillips (1988), P. C. Horton, H. Gerwith e K. J. Kreutter (1988), J. Hodges (1989), Th. H. Ogden (2001), D. Widlöcher (2006), K. Wright (2009), R. Roussillon (2010, Caldwell e Joyce (2011) e N. Thompson (2012). Ogden, por exemplo, sustenta que Winnicott introduziu um grande número de “revoluções silenciosas” na psicanálise, tendo “revolucionado”, em particular, a concepção de “quadro analítico” (2001, p. 213). Por sua parte, Caldwell e Joyce observam que Winnicott foi “figura central” na elaboração “da teoria britânica de relações objetais, a qual, mesmo tendo raízes freudianas, revolucionou a psicanálise moderna” (2011, p. 1).
O conceito kuhniano de mudança paradigmática foi usado também para caracterizar as contribuições de outros autores. Os primeiros a proceder assim de maneira sistemática foram Greenberg e Mitchell, na obra citada anteriormente. Antes deles, Heinz Kohut se inspirou em Kuhn para dar à sua própria concepção de distúrbios narcísicos de personalidade o sentido de uma modificação da psicanálise semelhante a uma “mutação” biológica, dizendo tratar-se de uma contribuição “que fornece acesso a um inteiro novo aspecto da realidade” e que conjuga uma nova técnica revolucionária com uma nova teoria de explicação, ambas tendo um valor paradigmático (1977, p. 299)
Em 1992, Paul H. Ornstein, na sua introdução às ideias seminais de Michael Balint sobre o processo de tratamento psicanalítico, observa que essas ideias foram recebidas no campo da psicanálise de duas maneiras opostas. Um primeiro grupo de leitores considerou que as modificações técnicas de Balint eram aceitáveis apenas a título de “parâmetros” clínicos a serem interpretados e, por último, descartados, mas “não como “mudança do paradigma básico” freudiano, o qual já teria sido devidamente ampliado pela psicologia do ego (Ornstein, 1992, p. XVIII). Outro grupo recusou essa
redução e buscou na obra de Balint uma “melhor solução para seus problemas clínicos”, superando dessa forma “a pressão grupal e o estrangulamento [stranglehold] pelo paradigma dominante” (p. XVIII). Na opinião desse grupo, o “conserto” e a expansão da psicanálise freudiana pela psicologia do ego não era suficiente, precisando a psicanálise passar por “uma revisão mais importante” (p. XIX).
2. Articulação do Projeto temático com pesquisas anteriores realizadas pelo GrupoFPP e a SBPW

Nos anos 1980, Zeljko Loparic iniciou, de forma independente e sistemática – seguindo uma linha de pesquisa elaborada por ele com essa finalidade e aceita por um grupo de pesquisadores da Unicamp e da PUC-SP que se tornou Grupo de Pesquisa em Filosofia e Práticas Psicoterápicas (GrupoFPP) do CNPq –, uma leitura kuhniana da história da psicanálise e, em particular, da contribuição de Winnicott. Em que pesem as tentativas anteriores desse tipo de reconstrução da história e da estrutura da psicanálise winnicottiana, esse grupo de pesquisa, atualmente ativo também na Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana (SBPW), foi o primeiro a levar em conta, de maneira sistemática e articulada, todos os elementos da teoria kuhniana dos paradigmas e das revoluções científicas, devidamente adaptada ao caso da psicanálise, razão pela qual passou a ser chamada de “Escola Winnicottiana de São Paulo”. Em particular, o conceito kuhniano de paradigma não é reduzido, como em Greenberg e Mitchell, aos compromissos metafísicos, sendo usado em toda sua complexidade. O objetivo principal do presente Projeto temático é dar continuidade a esses trabalhos na forma de um Dicionário Winnicott.
A linha de pesquisa desenvolvida por Loparic – e articulada adicionalmente em colaboração com Elsa Oliveira Dias – é fundamentada nas seguintes teses principais, inspiradas em Kuhn e em resultados de pesquisas que vêm sendo realizadas ao longo de anos:
(1) A história da psicanálise pode ser analisada e articulada em termos da teoria kuhniana das crises científicas, revoluções científicas e de novos paradigmas.
(2) A contribuição de Winnicott consiste na elaboração de um novo paradigma da psicanálise, que representa uma modificação revolucionária do paradigma freudiano e permanece sem paralelo na história dessa disciplina.
(3) A pesquisa revolucionária de Winnicott foi motivada pela crise da psicanálise freudiana, devido ao acúmulo de problemas não solúveis (anomalias), em especial as dificuldades relativas aos bebês na fase de lactância, emparelhadas, por Winnicott, às dos psicóticos.
(4) A parte central do corpo teórico da psicanálise winnicottiana é a teoria do amadurecimento, que contém, como um de seus componentes, a teoria da sexualidade, e que serve de quadro geral para o estudo das necessidades fundamentais de um recém-nascido, as quais se originam principalmente da tendência inata para a integração, constitutiva da natureza humana, e das condições ambientais que favorecem, ou falham em favorecer, a realização dessa tendência.
(5) A teoria do amadurecimento é o horizonte para o estudo da natureza e etiologia dos distúrbios a cargo da psicanálise, concebidos como distúrbios do processo de amadurecimento.
(6) A teoria do amadurecimento é, igualmente, a base e o guia da clínica winnicottiana.
(7) O componente ontológico do paradigma winnicottiano não é a metapsicologia freudiana; esta é substituída por um horizonte filosófico que pode ser articulado, ainda que apenas parcialmente, com base nos elementos do existencialismo e da analítica existencial de Heidegger.
(8) A situação exemplar da psicanálise winnicottiana não é mais a situação edípica – a “criança na cama da mãe” –, mas a relação mãe-bebê – o “bebê no colo da mãe”.
(9) A teoria de amadurecimento contém uma teoria da socialização que permite aplicar a psicanálise winnicottiana:
a) ao estudo do processo de socialização e da estrutura da sociedade, da ordem democrática, da história da humanidade, a da vida social em geral;
b) à clarificação da natureza e etiologia dos distúrbios da socialização e da ordem social;
c) à prevenção e ao tratamento desses problemas, possibilitando a colaboração direta com as atividades realizadas pelos serviços sociais públicos e privados em diferentes áreas.

3. Atualidade da proposta e abrangência internacional

O projeto do Dicionário Winnicott inscreve-se numa das principais tradições de historiografia e filosofia da ciência, posta em evidência por Thomas Kuhn no seu livro A estrutura das revoluções científicas (1962). Ao sustentar a concepção de que a ciência não busca a verdade última sobre o mundo em si, mas desenvolve a atividade de resolução de problemas de certos tipos relativos ao mundo tal como ele nos é dado, Kuhn retoma uma posição já presente na Antiguidade (“salvar os fenômenos”) e rearticulada posteriormente por filósofos e cientistas de primeira linha, entre eles Descartes, Kant e Carnap. A atualidade de Kuhn é atestada pela pesquisa continua e consistente sobre a sua obra (veja, por exemplo, Bird, 2000, e Nickles, 2003). Ao escrever a introdução à edição dos 50 anos da A estrutura, Ian Hacking afirmou: “esse livro realmente mudou ´a imagem da ciência que hoje nos domina´. Para sempre” (Hacking, 2012, p. XXXVII).
Além disso, o Dicionário Winnicott nasce em um contexto de reconhecimento internacional crescente da interpretação kuhniana da psicanálise winnicottiana proposta pela Escola Winnicottiana de São Paulo e de desenvolvimentos institucionais recentes favoráveis a essa iniciativa.
Em 2007, na introdução à segunda edição do seu aclamado dicionário The Language of Winnicott, Jan Abram usa a linguagem de Kuhn para dizer que Winnicott, ao mesmo tempo em que continua Freud e Klein, introduziu “uma genuína mudança paradigmática [paradigm shift] no pensamento psicanalítico” (p. 5). Um ano depois, num artigo de 2008, Abram cita Loparic (2002 e 2006) para assinalar que, segundo alguns autores, “a psicanálise winnicottiana constitui uma mudança paradigmática [paradigm shift]” (in Abram, 2013, p. 94). Mais recentemente ainda, na primeira frase da introdução à sua coletânea Donald Winnicott Today, publicado em 2013, Abram escreveu: “O principal objetivo deste volume é demonstrar que a contribuição de Winnicott constitui uma revolução de maior importância na psicanálise”. Em apoio a essa afirmação ousada, Abram cita Kuhn e o artigo de Loparic sobre o esboço do paradigma winnicottiano, reeditado na mesma coletânea. Ela escreve:

A palavra “revolução” refere-se à obra de Thomas Kuhn no seu livro Estrutura das revoluções científicas (1970, 2. Edição). No capítulo 4 [da coletânea editada por Jan Abram em 2013] Loparic se propõe a examinar a evolução das descobertas de Winnicott e a aplicá-las à teoria kuhniana das revoluções científicas. Loparic faz ver a extensão da mudança realizada por Winnicott na matriz psicanalítica simbólica de Freud. (Abram, 2013, p. 22)

No seu resumo do texto de Loparic, Abram afirma:

A tese de que a obra de Winnicott constitui uma revolução científica foi comprovada por Zeljko Loparic no capítulo 4. Apoiada na teoria de Thomas Kuhn da “estrutura das revoluções científicas”, essa perspectiva oferece um argumento claro e convincente que mostra como Winnicott adiciona ao paradigma edípico de Freud o “paradigma do bebê-no-colo-da-mãe”. Loparic sugere que isso foi a solução para a “crise” científica de Winnicott que surgiu quando ele deu-se conta que os bebês podiam realmente ficar doentes. [...] Loparic demonstra que a posição teórica final de Winnicott, diferente da de Freud, está relacionada aos seus pontos de partida diferentes. Enquanto o paradigma edípico de Freud emergiu do trabalho deste com os casos de histeria, Winnicott, pediatra e analista de crianças, foi confrontado com o problema do bebê doente no colo da mãe. Essa é, no essencial, a mudança paradigmática que explica a diferença entre a psicanálise freudiana edípica, triangular, de “três corpos”, e a winnicottiana da relação mãe-bebê, dual ou de “dois corpos”.
Loparic aborda de modo abrangente o caráter específico da pesquisa revolucionária de Winnicott e completa sua análise crítica com uma discussão com os críticos de Winnicott (bem como com aqueles que fazem uso fantasioso da sua obra). Loparic enfatiza que, seguindo tanto Darwin como Freud, Winnicott era em primeiro lugar um cientista leal ao método científico. A fim de ilustrar esse ponto, Loparic cita a metodologia imensamente valiosa das consultas terapêuticas de Winnicott, que exemplificam sua dedicação à pesquisa científica. (Abram, 2013, pp. 5-6)

Num artigo publicado também em 2013, no número especial da Psychoanalytic Inquiry dedicado a Winnicott, Ofra Eshel defendeu de modo explícito, citando em apoio trabalhos de Loparic e de outros membros da Escola Winnicottiana de São Paulo, uma abordagem kuhniana das mudanças que Winnicott introduziu na psicanálise.
Contudo, mais significativo ainda que esse reconhecimento internacional das teses que, desde 1995, tornaram-se referência central para os trabalhos do Grupo de Pesquisa em Filosofia e Práticas psicoterápicas (GrupoFPP) e, posteriormente, da Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana (SBPW), é o fato de o próprio Winnicott, num texto escrito em 1970-71, portanto, já no final da sua vida, ter defendido explicitamente a necessidade de uma revolução na psicanálise. A frase que resume a sua proposta merece ser citada: “Estou pleiteando uma espécie de revolução no nosso trabalho. Vamos reexaminar o que estamos fazendo” (Abram, 2013, pp. 312-313).
Sendo assim, o presente Projeto parte da constatação que não é mais necessário debater se uma revolução na psicanálise estava em pauta para Winnicott, nem mesmo se ele deu passos nessa direção. O que é preciso, isso sim, é estudar melhor os motivos da sua pesquisa revolucionária e os resultados alcançados. Para esse propósito, o presente Projeto do Dicionário Winnicott – que se propõe reconstruir, de forma exaustiva e conceitualmente articulada, o léxico do paradigma winnicottiano – espera trazer uma contribuição decisiva.

4. Interlocução com outras linhas de pesquisa

Faz parte da metodologia da linha de pesquisa aceita como base do presente projeto considerar as alternativas teóricas e levar em conta os resultados sobre os assuntos de interesse comum, obtidos por pesquisadores independentes ou seguidores de outras linhas de pesquisa. Vários desses profissionais foram incluídos na equipe que executará o presente projeto (ver o capítulo VI). Além disso, na estrutura de todos os verbetes está prevista explicitamente a discussão de interpretações alternativas, bem como a inclusão de adendos e de comentários críticos assinados, encaminhados seja pelos membros de equipe seja pelos leitores externos. Os projetos de pós-doutorado igualmente preveem o estudo de uma variedade de perspectivas sobre Winnicott.

Bibliografia:

Abram, J. (2007). The Language of Winnicott. 2. a ed. London: Karnak.
Abram, J. (2013). Donald Winnicott Today. London: Routledge.
Balint, M. (1992[1968]). The Basic Fault. Evenston, Ill.: Northwestern University Press.
Bird, A. (2000). Thomas Kuhn. Chesham: Acumen.
Caldwell, L. e Joyce, A. (orgs.) (2011). Reading Winnicott. London: Routledge.
Davis, M. e Wallbridge, D. (1981). Boundary and Space. London: Karnac Books.
Dias, E. O. (2013). Teoria do amadurecimento de D. W. Winnicott. São Paulo: DWW Editorial. (Edição inglesa pela Karnac Books em preparação.)
Eshel, O. (2013). Reading Winnicott into nano-psychoanalysis: there’s plenty of room at the bottom. Psychoanalytic Inquiry, vol. 33, pp. 36-49.
Green, A. (2013[1975]). Potential space in psychoanalysis. The object in the setting. In Abram, 2013, pp. 183-204.
Greenberg, J. e Mitchell, S. A. (1983). Object Relations in Psychoanalytic Theory. Cambridge, Mass: Harvard University Press.
Hacking, I. (2012). Introductory Essay. In: Kuhn, Th. (2012): The Structure of Scientific Revolutions. Chicago: The University of Chicago Press.
Hodges, J. M. (1989). Reshaping the Psychoanalytic Domain. Berkeley: University of California Press.
Horton, P. C., Gerwith, H. e Kreutter, K. J. (1988). The Solace Paradigm. Madison, Conn.: International Universities Press.
Kohut, H. (1975). The Restoration of the Self. Chicago: University of Chicago Press.
Lifton, R. (1976). From Analysis to Formation: Toward a Shift in Psychoanalytic paradigm. Journal of the American Academy of Psychoanalysis, v. 4, pp. 65-94.
Loparic, Z. (2002). Winnicott´s Paradigm Outlined. Revista latinoamericana de psicopatologia fundamental, vol. 5, n. 1, pp. 61-98.
Loparic, Z. (2006). De Freud a Winnicott: aspectos de uma mudança paradigmática. Winnicott e-Prints, vol. 5, n. 2, 1-29.
Loparic, Z. (2012). From Freud to Winnicott: Aspects of a Paradigm Change. In Abram, J. (2013). Donald Winnicott Today (cap. 4). London: Routledge.
McDougall, J. (1997) As múltiplas faces de Eros. São Paulo: Martins Fontes.
Mitchell, S. A. (2000). Relationality. Hillsdale, NJ: The Analytic Press.
Modell, Arnold H. 1968: Object Love and Reality. New York: International Universities Press.
Nickles, Th. (org.) (2003). Thomas Kuhn. Cambridge: Cambridge University Press.
Ogden, Th. H. (2001). Reading Winnicott. In Ogden, 2002, Conversations at the Frontier of Dreaming. London: Karnac.
Ornstein, P. H. (1992). How to Read The Basic Fault. In Balint, M. (1992), Foreword.
Phillips, A. (1988). Winnicott. London: Penguin.
Roussillon, R. (2010). Winnicott´s Deconstruction of Primary Narcissism. In Abram, 2013, pp. 270-290.
Thompson, N. (2012). Winnicott and American Analysts. In Abram, 2013, pp. 386-417.
Widlöcher, D. (2006). Winnicott and the Acquisition of a Freedom of Thought. In Abram, 2013, pp. 235-269.
Wright, K. (2009). The Search for Form. A Winnicottian Theory of Artistic Creation. In Abram, 2013, pp. 250-269.

5. Público-alvo

O Dicionário Winnicott, objeto do presente Projeto, dirige-se:
(1) Aos psicanalistas, estudiosos e pesquisadores da psicanálise winnicottiana no Brasil e no exterior, objetivando servir de livro de consulta (completo na medida do possível) sistematicamente organizado e crítico sobre a psicanálise winnicottiana;
(2) A todos que desenvolvem atividades no campo de saúde pública e de serviços sociais, para as quais a psicanálise winnicottiana possa trazer subsídios relevantes, inclusive no âmbito da prevenção.
6. Instituições-sede
A escolha do Centro de Lógica da Unicamp (CLE) e da SBPW como instituições-sede baseia-se nas suas tradições de ensino, pesquisa e publicação na área de interesse do presente projeto. Em 1984, por iniciativa e sob a coordenação do Prof. Loparic, o CLE acolheu e, por muito tempo, administrou o Curso de Especialização em Fundamentos Filosóficos de Psicologia e Psicanálise (FFPP), o primeiro do gênero na área de filosofia e rapidamente reconhecido como referência nacional. A SBPW, criada especialmente para desenvolver atividades de ensino, pesquisa e publicações na área estudos winnicottianos, dá, em vários aspectos, a continuidade a essa iniciativa acadêmica anterior.

V. RESUMO DE RESULTADOS ALCANÇADOS PELAS PESQUISAS JÁ REALIZADAS

Baseado na linha de pesquisa acima resumida, Loparic explicitou, em vários textos, os principais elementos da estrutura do paradigma winnicottiano, sempre em comparação com os elementos do paradigma freudiano.
Elsa Oliveira Dias, por sua vez, após pesquisar toda a obra de Winnicott (além da de seus comentadores), reunindo e articulando os elementos que permitissem uma apresentação unitária do seu pensamento, dedicou-se ao estudo detalhado do eixo central da psicanálise winnicottiana: a teoria do amadurecimento. Essa teoria, cuja articulação final (que continua em boa parte desconhecida em vários grupos psicanalíticos, nacionais e internacionais, inclusive entre os que se interessam por Winnicott) revelou-se, verdadeiramente, tal como o próprio autor afirmou, o backbone, (a espinha dorsal) do seu pensamento e, em particular, de sua teoria dos distúrbios psíquicos. Sobre esse horizonte, vários trabalhos desdobraram seus temas específicos, seja a respeito de elementos estruturais ou fases da temporalização da natureza humana – a lactância, a infância, a adolescência, o conceito de ambiente, a criatividade, a sexualidade, os aspectos dissociados na formação da identidade de gênero, a constituição psicossomática do eu –, seja relacionados à nova formulação winnicottiana, também baseada na teoria do amadurecimento, sobre a natureza e a etiologia dos distúrbios psíquicos – entre eles, as psicoses, os transtornos psicossomáticos, o autismo, a depressão, as paranoias, a tendência antissocial e a neurose. Outros ainda foram dedicados aos novos procedimentos clínicos que decorrem do paradigma winnicottiano, relevantes para o tratamento de vários desses distúrbios: o novo sentido da transferência e da interpretação, o manejo, o uso terapêutico da falha do analista e as consultas terapêuticas. Não faltaram trabalhos dedicados à aplicação da psicanálise winnicottiana a problemas não estritamente clínicos, tais como rotinas neonatais ou adoção.
Mais recentemente, aspectos específicos da teoria do amadurecimento foram tomados para estudo aprofundado e significativamente ampliados, em particular pela introdução dos temas do pai – que permitiu uma grande expansão sobre a problemática do concernimento e, portanto, sobre as questões relativas à aquisição da capacidade para a depressão simples – e da família. Essa extensão da temática do amadurecimento permitiu reconstituir a redescrição winnicottiana das relações triangulares com base genital (o Édipo), e avançar pelo estudo da adolescência, do processo de socialização, além de problemas relativos ao envelhecimento. Outros aportes foram realizados na direção de aplicar a teoria winnicottiana do amadurecimento na prevenção dos distúrbios psíquicos, e no tratamento não estritamente psicanalítico-clínico de problemas de saúde e de problemas sociais.

VI. COMPOSIÇÃO DA EQUIPE DO PROJETO

A equipe será composta de um pesquisador responsável, três pesquisadores principais, ligados, segundo as exigências da FAPESP, às IES do Estado de São Paulo, três pesquisadores seniores associados, atuando como coordenadores de grupos de pesquisadores colaboradores, que irão trabalhar sobre as partes mais importantes do Projeto e que serão constituídos segundo os interesses teóricos dos seus participantes, além de bolsistas de pós-doutorado e de iniciação científica, bem como de pessoal de apoio.
A equipe de pesquisadores do Projeto Temático está composta pelos seguintes profissionais, distribuídos nas categorias abaixo:

Pesquisador responsável

Zeljko Loparic (Unicamp, PUCPR, SBPW, IWA)
Assistente: Suze Piza (FGV, SBPW, IWA)

Pesquisadores principais

Alfredo Naffah Neto (PUC-SP)
Daniel Omar Perez (Unicamp)
Maria Lúcia Toledo Amiralian (USP)

Pesquisadores seniores associados (coordenadores dos grupos de trabalho)

Caroline V. Ribeiro (UEFS)
Conceição A. Serralha (UFTM)
Elsa Oliveira Dias (SBPW, IWA)

Pesquisadores associados

Profa. Dra. Anna Lila Lejarraga (UFRJ), Profa. Dra. Ariadne Alvarenga Rezende Engelberg de Moraes (SBPW, IWA), Profa. Dra. Claudia Dias Rosa (SBPW, IWA), Prof. Dr. Eder S. Santos (UEL, IWA), Prof. Dr. Oswaldo Giacoia (Unicamp), Prof. Dr. Richard Simanke (UFJF), Prof. Dr. Róbson Ramos dos Reis (UFSM), Profa. Dra. Suze Piza (FGV, SBPW, IWA).

Pesquisadores colaboradores

Prof. Dr. Antonio Coimbra de Matos (Associação Psicanalítica, Lisboa, IWA),Profa. Dra. Alice Busnardo (SBPW, IWA), Profa. Dra. Claudia Drucker (UFSC), Profa. Dra. Daniela Guizzo (SBPW), Prof. Dr. Flávio Del Matto Faria (USJT, IWA), ), Prof. Dr. Francisco Verardi Bocca (PUCPR), Profa. Dra. Isabel Castelo Branco (SBPW, IWA), Profa. Dra. Gabriela Galván (SBPW, IWA), Profa. Dra. Irene Borges Duarte (Universidade de Évora, Portugal), Prof. Dr. Jean-Renaud Seba (Universidade de Liège, Bélgica), Dra. Leticia Minhot (Universidade Nacional de Córdoba, Argentina, IWA), Prof. Dr. Marco Casanova (UERJ), Profa. Dra. Ofra Eshel (Grupo Winnicott de Israel, IWA), Profa. Laura Dethiville (Sociedade de Psicanálise Freudiana, SPF, Paris), Profa. Prof. M. A. Loris Notturni (Universidade de Liège, Bélgica, IWA), Profa. Dra. Maria de Fátima Dias (SBPW, IWA), Profa. Dra. Maria José Ribeiro (UFU, IWA), Profa. Dra. Marta Regina Alves Pereira (SBPW, Uberlândia, IWA), Profa. Dra. Roseana Moraes Garcia (SBPW, IWA) Profa. M. A. Vera Regina Ferraz de Laurentiis (SBPW, IWA), Prof. MA. Marcos José Alves Lisboa (PUC-Camp), Prof. Dr. Olivier Feron (PUCPR), Prof. Dr. José Euclimar Xavier de Menezes (Universidade Católica do Salvador - UCSal), Prof. Dr. Vincenzo Bonaminio (Universidade La Sapienza, Roma).

Doutorandos

Danit Zeava Falbel Pondé (Unicamp)
Laura Mack Rates (Unicamp)

Pesquisadores de pós-doutorado

Seis bolsistas selecionados por chamada nacional e internacional mediante aprovação do Projeto.

Supervisores de pós-doutorado

Prof. Dr. Alfredo Naffah Neto,
Prof. Dr. Daniel Omar Perez,
Profa. Dra. Maria Lucia T. Amiralian,
Prof. Dr. Zeljko Loparic

Pesquisadores em Iniciação científica
Dois bolsistas selecionados pela chamada nacional e internacional, mediante aprovação do Projeto.

Supervisora de Iniciação Científica
Profa. Dra. Suze Piza

Equipes de revisores técnicos e/ou tradutores

Chinês: Dr. Med. Ling Sunang (Huilongguan Hospital, Beijing), M. A. Shan Xiaochun (Tongji University, Xangai), Dr. Med. Zhao Chengzhi (Huilongguan Hospital, Beijing).
Espanhol: Prof. Dr. Daniel Omar Perez (Unicamp), Profa. Dra. Gabriela Galván (SBPW), Profa. Dra. Leticia Minhot (Universidade Nacional de Córdoba, Argentina).
Francês: Laura Dethiville (Sociedade de Psicanálise Freudiana, SPF, Paris), Prof. Dr. Loris Notturni (Universidade de Liège), Prof. Dr. Jean-Renaud Seba (Universidade de Liège).
Grego: Thanassis Hatzopoulos (Grupo Winnicott de Atenas) com colaboradores
Hebraico: Profa. Dra. Ofra Eshel e membros do Grupo Winnicott de Israel
Inglês: Prof. Dr. Rogério Passos Severo (UFSM), Regina Barros de Carvalho, Jonathan Morris, Juliana Procópio Araújo (tradutores).
Português: Profa. Dra. Elsa Oliveira Dias (SBPW), Meire Gomes (Coordenadora editorial de DWW editorial), Profa. M. A. Vera Regina Ferraz de Laurentiis (SBPW).

Pesquisadores visitantes

De acordo com o cronograma (em anexo), a equipe do Projeto organizará semestralmente Jornadas de debates e Congressos científicos, sobre os verbetes publicados e em elaboração, com pesquisadores convidados, nacionais e internacionais.

Pessoal de apoio técnico

Tereza Loparic (Editoração)
Tereza Mendonça (Assistente de editoração)
Serão selecionados três bolsistas mediante processo de seleção.

Pessoal administrativo

Iara Mattos, secretaria (SBPW)
Renata Braga, produção editorial (SBPW)

VII. APRESENTAÇÃO DA EQUIPE DO PROJETO

A equipe de pesquisa é formada por um grupo de pesquisadores renomados com extensas atividades e produção nas áreas de Psicanálise e Filosofia, incluindo profissionais de diversas universidades e instituições psicanalíticas, além de membros da Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana. Dessa forma, fica assegurado o espaço para a pesquisa em diferentes níveis, desde a Iniciação científica até o Pós-doutorado. Também fica assegurado o espaço para contribuições de pesquisadores independentes ou dos que não seguem a linha de pesquisa do GrupoFPP e da SBPW.

1. Breve histórico da formação da equipe do Projeto

O conjunto de pesquisadores que atuará na realização do Projeto temático: Dicionário Winnicott começou a ser formado pelo Prof. Dr. Zeljko Loparic com a fundação, em 1995, na PUC-SP, do Grupo de Pesquisa em Filosofia e Práticas Psicoterápicas (GrupoFPP), atualmente vinculado ao Centro Lógica da Unicamp, certificado junto ao CNPq e liderado pelo mesmo professor.
As atividades de ensino e pesquisa eram, e continuam sendo, desenvolvidas de acordo com a linha de interpretação da estrutura e da história da psicanálise winnicottiana, que vem sendo elaborada, desde 1995, com base na teoria kuhniana da historiografia das ciências factuais por Zeljko Loparic, Elsa Oliveira Dias e outros membros do grupo.
Um novo passo institucional foi dado com a criação, por Z. Loparic e Elsa Oliveira Dias, em 2001, do Centro Winnicott de São Paulo (CWSP) e, em 2005, da Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana (SBPW) em São Paulo, hoje com filiais em mais 7 outras cidades brasileiras. A SBPW realiza atividades de ensino, pesquisa e publicação na área de psicanálise winnicottiana, através de suas filiais constituídas como Centros Winnicott e Grupos Winnicott, e a sua Editora DWW Editorial. Para mais informações, acessar os sites: www.sociedadewinnicott.com.br.

2. Resultados das pesquisas realizadas pelo GrupoFPP e pelos membros da SBPW

Acessar site do GrupoFPP: www.grupofpp.com.br.

3. Ensino no Brasil

3.1. Curso de Formação em Psicanálise Winnicottiana ministrado desde 2003 pelo Centro Winnicott de São Paulo e, a partir de 2005, pela equipe de professores da SBPW e pesquisadores do GrupoFPP.
3.2. Outras atividades de ensino:
(1) Cursos e orientação de pesquisas sobre Winnicott pelo Prof. Loparic na Unicamp, a partir de 1995.
(2) Cursos e orientação de pesquisas sobre Winnicott pelo Prof. Loparic no Programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC-SP, no período de 1994-2011.
(3) Cursos da equipe de professores do GrupoFPP na COGEAE-PUCSP (Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento, Ensino e Extensão da PUC-SP), de 1999 a 2007.
(4) Cursos de membros da SBPW no Curso de especialização em psicanálise winnicottiana na faculdade de psicologia da Universidade Nacional de Córdoba, Argentina, de 2011 a 2013.
(5) Cursos do Prof. Loparic sobre Winnicott na área de Filosofia da Psicanálise do Programa de Pós-Graduação da PUCPR, desde 2011, em colaboração com os Profs. Drs. Daniel Omar Perez, Francisco Verardi Bocca e Olivier Feron, os três associados ao presente Projeto.
(6) Disciplinas e aulas ministradas em todos esses anos em várias instituições por outros membros da SBPW, em particular nos sucessivos Cursos de especialização sobre Winnicott organizados na UNISAL, campus de Lorena, pela Profa. Dra. Denise Procópio e pelo Prof. Rodolfo Fenile Ferraz.
Informações detalhadas no currículo Lattes dos professores e site do GrupoFPP.

4. Eventos no Brasil

Até o presente momento, o GrupoFPP e a SBPW organizaram os seguintes eventos:

4.1. Colóquios Winnicott Internacionais de São Paulo

Salvo os dois primeiros, todos os outros colóquios foram temáticos, os assuntos abordados de acordo com a linha de pesquisa (veja: www.grupofpp.com.br) seguida pelos participantes do GrupoFPP e, mais recentemente, de membros regulares e colaboradores da SBPW:

I. Colóquio Winnicott – sem tema específico (1995)
II. Colóquio Winnicott. Centenário Winnicott – sem tema específico (1996)
III. Colóquio Winnicott. A clínica winnicottiana (1998)
IV. Colóquio Winnicott. A agressividade em Winnicott (1999)
V. Colóquio Winnicott. O corpo (2000)
VI. Colóquio Winnicott. O masculino e o feminino (2001)
VII. Colóquio Winnicott. A clínica do amadurecimento (2002)
VIII. Colóquio Winnicott. A teoria e a clínica das psicoses (2003)
IX. Colóquio Winnicott. A teoria e a clínica das depressões (2004)
X. Colóquio Winnicott. Tendência antissocial e delinquência (2005)
XI. Colóquio Winnicott. Criatividade e experiência cultural (2006)
XII. Colóquio Winnicott. Winnicott na história da psicanálise (2007)
XIII. Colóquio Winnicott. Os casos clínicos de Winnicott (2008)
XIV. Colóquio Winnicott. O psíquico, o mental e o simbólico em Winnicott (2009)
XV. Colóquio Winnicott. O verdadeiro e o falso si mesmo (2010)
XVI. Colóquio Winnicott. A ética do cuidado (2011)
XVII. Colóquio Winnicott. E o Pai? (2012)
XVIII. Colóquio Winnicott. Família e amadurecimento pessoal (2013)
XIX. Colóquio Winnicott. Adolescência e socialização. (2014)
XX. Colóquio Winnicott. Winnicott e o futuro da psicanálise (2015) em preparação.

4.2. Colóquios Winnicott do Triângulo Mineiro

I. Colóquio Winnicott (2006). Perspectivas para a educação, a pesquisa e a
clínica psicanalítica.
II. Colóquio Winnicott (2007). A clínica winnicottiana.
III. Colóquio Winnicott. Saúde como maturidade (2009)
IV. Colóquio Winnicott. A psicossomática em Winnicott (2011)
V. Colóquio Winnicott. Winnicott e a Educação - criando ambientes facilitadores para o aprender (2013)

4.3. Colóquios Winnicott de Belo Horizonte

I. Colóquio Winnicott (2009)
II. Colóquio Winnicott. Da interpretação ao manejo (2010)
III. Colóquio Winnicott. Tendência antissocial: Origem e prevenção (2011)
IV. Colóquio Winnicott. Psicopatologia winnicottiana (2012)
V. Colóquio Winnicott. Depressões (2013)
VI. Colóquio Winnicott. A clínica contemporânea e o verdadeiro e falso si-mesmo (2014)

4.4. Colóquios Winnicott de Campinas

Colóquio de fundação do Centro Winnicott de Campinas. Aspectos fundamentais da psicanálise winnicottiana (2006)
I. Colóquio Winnicott. A clínica winnicottiana (2007)
II. Colóquio Winnicott. O manejo na clínica winnicottiana (2008)
III. Colóquio Winnicott. A interpretação na clínica winnicottiana (2009)
IV. Colóquio Winnicott. Winnicott e a teoria da sociedade (2010)
V. Colóquio Winnicott. O sonho e o sonhar em Winnicott (2011)
VI. Colóquio Winnicott. Distúrbios da sexualidade (2012)
VII. Colóquio Winnicott. Os casos clínicos de Winnicott (2013)
VIII. Colóquio Winnicott. Adoção em Winnicott (2013)

4.5. Colóquios Winnicott de Lorena

I. Colóquio Winnicott. Saúde, doença e prevenção em Winnicott (2009)
II. Colóquio Winnicott. Tendência antissocial e delinquência (2010)
III. Colóquio Winnicott. De Freud a Winnicott: o desenvolvimento da psicanálise (2011)
IV. Colóquio Winnicott. Amadurecimento e sexualidade (2012)
V. Colóquio Winnicott. A Psicossomática (2013)
VI. Colóquio Winnicott. Psicopatologia winnicottiana (2014)

4.6. Colóquios Winnicott do Rio de Janeiro

I. Colóquio Winnicott. A clínica do amadurecimento (2012)
II. Colóquio Winnicott. Psicopatologia winnicottiana (2013)
III. Colóquio Winnicott. O corpo (2014)

4.7. Simpósios Winnicott de Londrina

I. Simpósio Winnicott. Teoria e clínica na psicanálise de Winnicott (2011)
II. Simpósio Winnicott. Winnicott na história da psicanálise (2012)
III. Simpósio Winnicott. Adolescência (2014)

4.8. Colóquios Winnicott de Porto Alegre

Em colaboração com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS
I. Colóquio Winnicott. A teoria do amadurecimento de D. W. Winnicott (2008)
II. Colóquio Winnicott. Ética do cuidado (2009)
III. Colóquio Winnicott. Solidão essencial e dependência (2010)
IV. Colóquio Winnicott. Da sublimação à criatividade: uma mudança paradigmática na concepção psicanalítica da cultura (2011)
V. Colóquio Winnicott. Linguagem em Winnicott (2012)

4.9. Colóquios Winnicott do Salvador

Em colaboração com a Universidade Católica do Salvador, UCSal
I. Colóquio Winnicott. Da família edipiana de Freud ao ambiente familiar winnicottiano: tensões (2012)
II. Colóquio Winnicott. Ordem psíquica e ordem familiar (2013)
III. Colóquio Winnicott. Olhares interdisciplinares sobre família e adoção. (2013). IV. Colóquio Winnicott. Pai: suporte do amadurecimento (2014)

5. Publicações no Brasil

Um grande número de trabalhos dos membros da equipe do Projeto foi publicado em diferentes veículos, que estão indicados na bibliografia que se encontra no site da SBPW, sendo que parte significativa deles foi financiada pela FAPESP e outros órgãos de fomento (acesso aos dados pelo endereço: http://www.centrowinnicott.com.br). As publicações do GrupoFPP e da SBPW abrangem duas revistas eletrônicas, Natureza humana e Winnicott e-Prints, bem como os diferentes lançamentos da Editora da SBPW. Ver catálogo da DWW editorial e os futuros lançamentos: http://www.dwweditorial.com.br.

6. Atividades na área de serviços sociais

Além das atividades de ensino e pesquisa mencionadas, vários membros da equipe estão envolvidos em atividades relacionadas ao fornecimento de apoio para os Projetos na área de serviços sociais, incluindo um convênio de prestação desse tipo de serviço com a Prefeitura de Santos e as supervisões nos CAPS de Campinas, no Programa Além da Rua, do Instituto Pe. Haroldo, Campinas, no Centro de Orientação ao Adolescente de Campinas.

7. Colaboração com instituições acadêmicas brasileiras

Os membros da equipe do Projeto, que se originou de um grupo acadêmico, o GrupoFPP, tem um programa que prevê colaboração e intercâmbio com várias instituições acadêmicas e psicanalíticas nacionais e estrangeiras. As pesquisas do grupo, bem com as realizadas nos Centros Winnicott da SBPW, contam com o apoio de diferentes Instituições de Ensino Superior do país, tais como a PUC-SP, PUCPR, USJT, UFRGS, UFSM, UEL, UFFS, Unicamp e USP, bem como de diversas entidades científicas (Grupo de Trabalho Heidegger e Grupo de Trabalho Filosofia e Psicanálise, ambos da ANPOF, Seção de Campinas da Sociedade Kant Brasileira e Sociedade Brasileira de Fenomenologia).

8. Projeção internacional do grupo

Desde o início, a SBPW e seus membros desenvolvem atividades, tanto individuais como institucionais, no plano internacional.

8.1. Iniciativas institucionais e intercâmbio

Desde 2007, membros da SBPW participam da SIRCA (Simpósio Internacional sobre la Representación en la Ciencia y el Arte), Universidade de Córdoba, Argentina, com trabalhos sobre Winnicott.
Em 2011, a SBPW iniciou colaboração regular com o Grupo Winnicott da Société de Psychanalyse Freudienne (SPF), Paris.
Em 2013, a SBPW promoveu a criação e tornou-se a sede da International Winnicott Association (IWA), que atualmente conta com 15 grupos-membros de 8 países diferentes. Informações sobre a IWA e as atividades da IWA encontram-se no endereço www.iwassociation.com.
Várias formas de colaboração estão sendo estudadas com o Winnicott Trust, instituição encarregada do legado literário de Winnicott e responsável pela edição de suas obras completas, a ser iniciada em 2015 pela Oxford University Press (ver o endereço www.iwassociation.com).
Para 2015, está sendo planejado o I Congresso Winnicott da IWA, a ser realizado em São Paulo, simultaneamente com o XX Colóquio Winnicott Internacional da SBPW, sobre o tema: “Winnicott e o futuro da psicanálise”.

8.2. Palestras e outras atividades acadêmicas no exterior

No período de 1993 até hoje, vários membros da SBPW desenvolveram atividades no exterior. Z. Loparic proferiu palestras sobre Winnicott e a psicanálise em geral em eventos realizados no Bélgica, China, Colômbia, Croácia, França, Inglaterra, México, Perú, Portugal e Uruguai. No mesmo período, Elsa Oliveira Dias fez intervenções sobre o mesmo tema na Argentina, China, França, Uruguai, Perú e Portugal. Aqui vão alguns destaques. Em 2000, o Prof. Loparic foi convidado pela Squiggle Foundation de Londres para proferir a palestra anual “Madeleine Davis” sob o título “Winnicott´s Paradigm Outlined”. Em 2011, a Profa. Ariadne Alvarenga Engelberg de Moraes participou do International Forum for Psychoanalytic Education (IFPE), em Fort Lauderdale, Flórida. Em 2013, vários membros da SBPW participaram do I Colóquio Winnicott da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica (APPP), em Lisboa, e, em 2014, do II Congresso luso-brasileiro sobre Winnicott da mesma entidade. Também em 2014, Roseana Moraes Garcia e Claudia Dias Rosa deram palestras, como convidadas especiais, no II Colóquio Winnicott de Córdoba, cujo tema central foi “La delincuencia como signo de esperanza”. No quadro da IWA, um grupo de pesquisadores da SBPW realizou, em 2013, um seminário sobre Winnicott na Yikang Mental Clinic do Beijing Huilongguan Hospital de Beijing. Em 2013 e 2014, Elsa O. Dias e Z. Loparic realizaram seminários sobre Winnicott na Universidade de Xangai.
Em 2014, teve lugar, na École Normal Supérieure de Paris, em colaboração com os Arquives Husserl de Paris e a École Française de Daseinsanalyse, a primeira reunião do International Research Groupe on Winnicott´s Paradigm, com Z. Loparic como palestrante principal, na presença de participantes de Bélgica, Brasil, França e Portugal. Próximas reuniões estão previstas para 2015, também em Paris.

8.3. Cursos no exterior

Em 2011, a SBPW iniciou o Curso de especialização em psicanálise winnicottiana na Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional de Córdoba, Argentina, sob coordenação de Letícia Minhot, filósofa pesquisadora que faz parte da SBPW. Em 2012, os professores Conceição Serralha, Gabriela Galván, Roseana Moraes Garcia, Elsa Oliveira Dias e Zeljko Loparic ministraram aulas nesse curso.
Em maio de 2014, no Beijing Huilongguan Hospital de Beijing, principal instituição desse gênero na capital chinesa, foi iniciado o Curso Sino-Brasileiro de Formação em Psicanálise Winnicottiana, com a duração de três anos (2014-2016). Esse curso foi oficialmente aprovado pelo Chinese National Continuing Medical Education Committee como “projeto médico educacional contínuo nacional” (CME National Program).

8.4. Publicações no exterior

Vários membros da SBPW publicaram e continuam publicando trabalhos no exterior e em outras línguas (ver os CVs Lattes). Em 2014, a Editora Karnac da Inglaterra aceitou editar em inglês o livro Teoria do amadurecimento de D. W. Winnicott, de Elsa O. Dias.

VIII. RESULTADOS ESPERADOS DO PRESENTE PROJETO DE PESQUISA

A linguagem do paradigma freudiano foi estudada de forma exemplar no Vocabulário de Psicanálise por J. Laplanche e J.-B. Pontalis (1967). Contudo, uma das limitações dessa obra é a restrição à linguagem técnico-clínica de Freud. Essa limitação é em parte superada pelo Dictionaire de la psychanalyse de E. Roudinesco e M. Plon (nova edição, 1997), que é uma contribuição adicional apreciável na mesma direção, mas que também não cobre por completo o léxico freudiano.
Até o presente momento, a linguagem da psicanálise winnicottiana foi dicionarizada apenas por Jan Abram em The Language of Winnicott, publicado em 1996. Baseado em um dos mais detalhados estudos da totalidade da obra de Winnicott realizado até aquela data, acompanhando o desenvolvimento das ideias de Winnicott e as diferenças entre suas concepções e as dos autores centrais da psicanálise tradicional (Freud, Klein), esse dicionário, universalmente aplaudido, foi um primeiro passo importante num território até então inexplorado. Contudo, considerado à luz de resultados mais recentes no campo de estudos winnicottianos, esse texto ainda deixa espaço para aprimorar a abordagem histórica, a análise conceitual, a articulação estrutural, o estudo comparativo, o exame filosófico ou a avaliação crítica do léxico winnicottiano considerado no seu todo. Temos hoje uma concepção mais clara da abrangência das mudanças introduzidas por Winnicott e da unidade interna da sua psicanálise. Dados pessoais, profissionais e institucionais, os quais, como sabemos, são relevantes para a compreensão do desenvolvimento das ideias winnicottianas, e que receberam, no dicionário de J. Abram, uma atenção meramente casual, poderão ser adicionados com proveito. Na segunda edição (2007), a autora adere (ver o capítulo IV) à tese de mudança paradigmática no sentido de Kuhn, mas não refaz nem aumenta significativamente os verbetes segundo uma reconstrução precisa do surgimento e da estrutura do paradigma winnicottiano. O livro de A. Newman, anterior ao de J. Abram, Non-compliance in Winnicott´s Words, de 1995, não possui, segundo o próprio autor, características de um dicionário propriamente dito, sendo antes uma compilação de textos de Winnicott acompanhados de comentários aleatórios, de cunho pessoal.
O presente Projeto de pesquisa pretende preencher essa lacuna na literatura sobre Winnicott. O resultado principal do Projeto Temático: Dicionário Winnicott é fazer uma reconstrução do léxico do paradigma winnicottiano que seja, na medida do possível, completa, no sentido de analisar a psicanálise winnicottiana de modo abrangente e unificado a partir da totalidade de sua obra e da unidade de seu pensamento teórico-clínico e, igualmente, à luz da teoria kuhniana dos paradigmas e das revoluções científicas. Cuidados especiais serão tomados para preservar as características básicas da linguagem de Winnicott, de sorte que o Dicionário, objetivando a explicitação, ao mesmo tempo histórica, conceitual, estrutural, comparativa, filosófica, crítica e factual do uso e das modificações do uso winnicottiano de termos e de expressões, não resulte no seu congelamento na forma de um jargão, mas, por considerar seus sentidos historicamente e, portanto, como abertos a elaborações adicionais, se constitua em fonte de inspiração para o desenvolvimento do pensamento winnicottiano.
O núcleo central desse léxico refletirá a estrutura da teoria winnicottiana do amadurecimento, espinha dorsal da sua psicanálise, que será reconstruída segundo as regras seguidas por Winnicott, explícita ou implicitamente, na construção de teorias científicas. O léxico terá ainda uma parte crítica, na qual a psicanálise winnicottiana será avaliada do ponto de vista epistemológico e metodológico. Serão postas em destaque também as possibilidades de uso do pensamento winnicottiano como guia tanto na clínica psicanalítica como na realização de intervenções em diferentes outras áreas, tais como prevenção de distúrbios maturacionais, individuais e sociais, pediatria e obstetrícia, fisioterapia, tratamento de deficiências físicas, assistência social e educação.
De acordo com essa abordagem, baseada no Projeto apresentado acima e nos resultados mencionados da Escola Winnicottiana de São Paulo, será feita a reconstrução da linguagem de Winnicott, traçando seu modo de usar as palavras e, de um modo geral, a relevância das suas teses para uma teoria psicanalítica da vida pessoal e cultural. Atenção especial será dada aos termos novos introduzidos por Winnicott, específicos da sua teoria do amadurecimento (cuidado, dependência, integração, mãe suficientemente boa, continuidade de ser, provisão ambiental, elaboração imaginativa, estrutura da personalidade, identificação cruzada etc.), da psicopatologia (cisão advinda da quebra da linha do ser, agonias impensáveis, retraimento, regressão à dependência, tendência antissocial, falso si-mesmo, psicopatia) e da sociopatologia (não tolerância da ambivalência, tendência antidemocrática, pobreza cultural, anarquismo, autoritarismo, beligerância), bem como aos termos da psicanálise tradicional redefinidos (psicose, ambivalência, neurose, instinto, ego, interpretação), postos fora de uso ou mesmo abandonados (pulsão de vida, pulsão de morte, aparelho psíquico) e às palavras emprestadas do inglês cotidiano, tais como self, mutuality, I AM, concern e ruthlessness.
Propondo-se a fazer uma reconstrução abrangente e unificada do léxico da linguagem da psicanálise winnicottiana, com a devida atenção para o seu uso, o Dicionário tem ainda por objetivo adicional elaborar outros tipos de verbetes, divididos em várias outras categorias, que ajudem na reconstituição do ambiente histórico, profissional, institucional e pessoal no qual surgiu a obra de Winnicott. Abaixo está indicada a estrutura na qual o Dicionário será construído.
A realização da tarefa, que segue e amplia a do Dicionário de Roudinesco e Plon, contribuirá para a melhor compreensão do progresso da psicanálise que resultou da revolução winnicottiana, e para a determinação do lugar da psicanálise winnicottiana nas ciências do homem, além de facilitar a sua aplicação em diferentes áreas, em particular o seu uso na prevenção e no atendimento de distúrbios de natureza psíquica e social.
Além de servir de recurso importante para o ensino e favorecer o desenvolvimento de pesquisas sobre Winnicott em âmbito nacional e internacional, o Dicionário Winnicott, elaborado no formato aqui proposto – abrangência de tópicos considerados, caráter coletivo do projeto, forte inserção acadêmica da equipe consolidada e qualificada, publicação mediante recursos da tecnologia atual, abertura para o diálogo com os leitores –, contribuirá, fora da área estrita de estudos winnicottianos, tanto para a historiografia da psicanálise em geral como para a atualização do discurso e das práticas psicanalíticas, pondo em evidência a relevância dessa disciplina para as práticas sociais e culturais da nossa época.

IX. FORMA DE APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS: O DICIONÁRIO WINNICOTT e DICIONÁRIO WINNICOTT DE CITAÇÕES

Os resultados das pesquisas realizadas segundo o presente Projeto serão apresentados em duas formas:
(1) Dicionário Winnicott
(2) Dicionário Winnicott de Citações
O Dicionário Winnicott conterá verbetes elaborados de acordo com as regras enunciadas abaixo.
O Dicionário Winnicott de Citações será um companion do Dicionário Winnicott produzido segundo o modelo do The Oxford Dictionary of Quotations. Ele conterá a) a compilação extensa de trechos das obras de Winnicott, no original e em traduções, caso existam, nos quais ocorre o termo ou expressão do item dicionarizado, reunidas na fase de preparação de verbetes do Dicionário Winnicott, b) a compilação de trechos escolhidos das obras de outros autores, relevantes para a compreensão dos itens dicionarizados.

X. ESTRUTURA DO DICIONÁRIO WINNICOTT

O site do Dicionário na Internet terá a seguinte estrutura temática:

1. Prefácio

1.1. Características principais do Dicionário projetado.
1.2. História da elaboração do Projeto.
1.3. Pesquisadores colaboradores e equipes de apoio.

2. Introdução

2.1. Justificativa do Projeto: estudo da linguagem do paradigma winnicottiano, preenchendo assim uma lacuna nos estudos winnicottianos.
2.2. Estrutura do Dicionário.
2.3. Forma de publicação: digital, a cargo da DWW editorial, e de livre acesso.
2.4. Línguas: inglês e português, com versões em chinês, espanhol e francês. Periodicidade: semestral.
2.5. Estrutura dos verbetes (para detalhes, ver abaixo).
2.6. Comparação com os Projetos editoriais de dicionários de filosofia, de psicanálise e de psicanálise winnicottiana existentes (Abbagnano, Abram, Assoun, Eisler, Ferrater Mora, Lalande, Laplanche e Pontalis, Newman, Roudinesco, Rycroft, Stanford Encyplopedia of Philosophy e Wikipedia).

3. Verbetes em ordem alfabética

4. Cronologia pessoal de Winnicott

5. Cronologia winnicottiana

Levará em conta os dados básicos e históricos relativos às instituições psicanalíticas winnicottianas e outras, bem como às atividades acadêmicas dedicadas a Winnicott, tais como eventos e atividades editorias (modelo: Roudinesco).

6. Bibliografia winnicottiana

6.1. Bibliografia completa das obras de Winnicott (na versão atualizada, de 2007, da bibliografia de Knud Hjulmand, publicada inicialmente no volume 1 da revista Natureza Humana.

6.2. Bibliografia da literatura sobre Winnicott
Artigos, livros, dissertações, teses etc., levando em conta publicações nas línguas usadas pelo Dicionário.

7. Índice de verbetes publicados

8. Índice de verbetes planejados

9. Lista de colaboradores

XI. NÚMERO, CATEGORIAS E ESTRUTURA DOS VERBETES

Está prevista a produção de no mínimo 18 verbetes por semestre, totalizando pelo menos 180 verbetes em cinco anos, tempo de duração do Projeto temático. Com esse número de verbetes, o Dicionário Winnicott irá se igualar ou mesmo ultrapassará o prestigioso Glossary of Psychoanalytic Terms and Concepts publicado sob os auspícios da American Psychoanalytic Association (APsaA), além de se diferenciar pela complexidade interna de verbetes, detalhada abaixo, de ser acompanhado do Dicionário Winnicott de Citações e de contar com as traduções para diferentes línguas, o que garantirá o seu alcance internacional, não apenas entre os membros da IWA, mas também entre os estudiosos de Winnicott em geral.
Na elaboração do Dicionário Winnicott, serão levados em conta, em primeiro lugar, os elementos constitutivos de um paradigma no sentido de Kuhn: os compromissos teóricos e os exemplares, bem como as aplicações da psicanálise winnicottiana. No estudo e na elaboração desse material, grande importância será dada ao desenvolvimento da obra de Winnicott no âmbito da história da psicanálise.
Com respeito aos compromissos teóricos do paradigma winnicottiano, serão estudados:

(1) Componente científico-teórico

Serão considerados:
a) o conjunto de conceitos e teses que constituem as generalizações-guia fundamentais, e a estrutura da teoria winnicottiana do amadurecimento saudável e perturbado;
b) os procedimentos winnicottianos de apresentação de fatos clínicos e de construção da teoria psicanalítica.

(2) Componente filosófico

Será abordado do ponto de vista da sua funcionalidade no quadro paradigmático winnicottiano, não do seu valor de verdade última, e analisado, com base em indicações do próprio Winnicott, relativas à filosofia em geral, à luz da analítica heideggeriana do Dasein, das diferentes versões do existencialismo e, além disso, de inspirações vindas do cristianismo e de culturas orientais.

(3) Componente clínico

Conceito winnicottiano de saúde e de doença. Serão identificadas as psicopatologias descritas por Winnicott e esclarecidas as diferenças entre elas e as patologias da pediatria, da psiquiatria e da psicanálise ortodoxa. Serão assinaladas as novidades técnicas introduzidas por Winnicott; a eficácia clínica da psicanálise winnicottiana, tomada no seu todo, será submetida ao escrutínio, factual e epistemológico.

(4) Componente axiológico

Os temas serão os valores e aquilo que, como diz Winnicott, faz com que a vida valha a pena ser vivida. Como ponto de contraste importante, será usado o princípio de prazer de Freud.
Em relação aos exemplares, isto é, aos casos clínicos de Winnicott, será analisada a sua importância na justificação e na ilustração das teses teóricas, o seu uso como modelos das práticas terapêuticas ou assistenciais de diferentes tipos, bem como a sua importância para o ensino da psicanálise winnicottiana.
O Dicionário Winnicott conterá, ainda, verbetes sobre a aplicação da psicanálise winnicottiana no estudo de temas externos à psicanálise propriamente dita, como a vida social e cultural em geral, a possibilidade de prevenção e tratamento de distúrbios tanto psíquicos como do processo de socialização. Além disso, abordará tópicos relevantes para a compreensão do seu pensamento, a saber, o contexto profissional e institucional no qual nasceu a sua obra, bem como seus dados biográficos.
Os verbetes do dicionário serão classificados, portanto, nas seguintes categorias:
(1) Verbetes científico-teóricos
(2) Verbetes filosóficos
(3) Verbetes teórico-clínicos
(4) Verbetes axiológicos
(5) Verbetes sobre os casos clínicos de Winnicott
(6) Verbetes sobre a psicanálise winnicottiana aplicada
(7) Verbetes profissionais
(8) Verbetes institucionais
(9) Verbetes pessoais
O mesmo verbete poderá ser classificado, dependendo da perspectiva de abordagem adotada, em mais de uma categoria, o que será devidamente indicado. O título de cada verbete será introduzido, em cada caso, na língua da versão do Dicionário utilizada (chinês, espanhol, francês, hebraico, inglês e português), com a indicação do título original inglês e traduções para todas as outras línguas do Dicionário. Todas as análises serão documentadas por citações de textos relevantes.
Segue a especificação do conteúdo, da articulação e das listas de verbetes sugeridos inicialmente. A escolha de verbetes nessas listas será feita pelos pesquisadores associados. Todos os verbetes deverão considerar, sempre que isso for apropriado, todos os itens especificados para os verbetes científico-teóricos, embora a articulação apresentada abaixo de outros verbetes não os mencione explicitamente a fim de evitar repetições.

1. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes científico-teóricos

1.1. Conteúdo

Esses verbetes analisarão termos ou expressões fundamentais da teoria do amadurecimento, componente propriamente científico do paradigma winnicottiano (enquanto quadro de resolução de certo tipo de problema de saúde, pessoal e social), bem como o seu componente metodológico.

1.2. Articulação

(1) Tradução nas línguas do Dicionário e em alemão.
(2) Breve especificação do sentido ou dos sentidos do verbete, com destaque
para formulações da última fase da obra de Winnicott (período dos anos 1960).
(3) Detalhamento dos sentidos: a ser feito a) considerando historicamente o surgimento e o desenvolvimento das ideias de Winnicott sobre o tema do verbete, b) levando em conta a totalidade da obra de Winnicott ordenada cronologicamente, e c) buscando apoio em citações mais relevantes, extraídas dos textos de Winnicott.
(4) Origem e outros aspectos filológicos do termo ou da expressão do verbete, levando em contas o vocabulário e a gramática das línguas do Dicionário.
(5) Análise conceitual: exploração do campo semântico do verbete na obra de Winnicott, pela elaboração dos sentidos deste e sua articulação com os sentidos de outros verbetes da mesma categoria, relacionados seja por semelhança (“sinônimos”) seja por dessemelhança (“antônimos”) de sentidos.
(6) Análise estrutural: determinação do lugar do tema do verbete na estrutura teórica da psicanálise winnicottiana, em particular das conexões do tema com o de outros verbetes de diferentes categorias.
(7) Relevância clínica: explicitando o sentido clínico do verbete.
(8) Uso do termo ou da expressão do verbete nas aplicações da psicanálise winnicottiana ao estudo de fenômenos não clínicos.
(9) Análise comparativa:
a) estudo do uso dos mesmos termos ou expressões por Winnicott e autores clássicos da psicanálise (S. Freud, K. Abraham, Anna Freud, H. Hartmann, E. Klein, W. R. Bion, J. Lacan), da medicina, em particular, da pediatria e da psiquiatria, e das outras áreas relevantes, tais como literatura, religião e filosofia;
b) diálogo de Winnicott com outros autores, relativas ao verbete em elaboração;
c) exame das conexões entre a linguagem winnicottiana e a das ciências da saúde de hoje;
d) explicitação, conforme o caso, da novidade do termo ou da expressão do verbete;
e) determinação do lugar de Winnicott na história da psicanálise e no horizonte cultural do seu tempo.
(10) Desenvolvimentos: propostas de interlocutores de Winnicott e de autores que continuarão a trabalhar no quadro do paradigma winnicottiano visando sua articulação e desenvolvimento.
(11) Recepção na psicanálise e em outras áreas (tais como ciências de saúde, assistência social, e várias áreas culturais: artes, religião, legislação etc.); análise dos resultados das pesquisas anteriores sobre Winnicott; debate com as interpretações da psicanálise winnicottiana que seguem perspectivas diferentes da perspectiva do Projeto atual.
(12) Traduções alternativas comentadas.
(13) Crítica: com base em resultados dos estudos winnicottianos atuais, tratar dos assuntos tais como falta de clareza ou precisão, ambiguidades etc.
(14) Referências bibliográficas comentadas, que serão compiladas durante todo o processo de realização da pesquisa, levando-se em conta as publicações em todas as línguas do Dicionário.
(15) Créditos dos colaboradores.
(16) Adendos: serão acrescentados regularmente a cada verbete, numa área da página do verbete que será destinada especificamente a essa finalidade, adendos recebidos de pesquisadores associados ou de leitores, devidamente identificados, segundo o modelo do Vocabulaire de Lalande. Conforme o caso, os redatores do Dicionário poderão publicar um comentário.
(17) Comentários críticos dos leitores: serão adicionados regularmente a cada verbete, numa área da página do verbete que será destinada especificamente a essa finalidade, comentários críticos relativos aos verbetes, recebidos de pesquisadores associados ou de leitores, devidamente identificados, segundo o modelo do Vocabulaire de Lalande. Conforme o caso, os redatores do Dicionário poderão publicar uma reposta.

1.3 Verbetes sugeridos

Adolescência, agonias impensáveis, agressividade, amadurecimento, ambiente facilitador, ambivalência, compadecimento, concernimento, círculo benigno, criatividade, destrutividade, diagramas da personalidade, espaço-tempo potencial, estágios do amadurecimento, fenômenos transicionais, identificação cruzada, impulso amoroso primitivo, incompadecimento, instinto, mãe suficientemente boa, moralidade, morte, nascimento, natureza humana, objetos transicionais, pai, pessoa, primeira mamada teórica, relações triangulares com base genital, sagrado, sedução, solidão essencial, senso de responsabilidade, tendência à integração, trauma, uso de um objeto.

2. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes filosóficos

2.1. Conteúdo

Esses verbetes tratarão da dimensão filosófica da psicanálise winnicottiana, seguindo as indicações do próprio Winnicott e levando em conta, em particular, a analítica existencial de Heidegger, o existencialismo de Sartre, bem como implicações filosóficas encontradas nas religiões, na literatura e nas culturas, ocidental e oriental.

2.2. Articulação

Serão usados os procedimentos de análise e argumentação específicos do campo teórico filosófico ao qual o verbete será remetido: à fenomenologia, ao existencialismo, à filosofia da psicanálise, à hermenêutica, à filosofia da ciência contemporânea etc.

2.3. Verbetes sugeridos

Ciência psicanalítica, comunicação, continuidade de ser, determinismo, espaço-tempo potencial, espontaneidade, estar aí para ser, ética do cuidado, linguagem, liberdade, moralidade inata, mundo, natureza humana, objetificação, paradoxos, personalidade, potencial herdado, religião, representação, senso de culpa, senso de responsabilidade, si-mesmo, símbolo, solidão essencial, técnica, temporalização, tendência à integração, verdade científica, verdade poética.

3. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes teórico-clínicos

3.1. Conteúdo

Distúrbios que, segundo Winnicott, estariam a cargo da psicanálise e procedimentos usados por Winnicott no seu trabalho clínico.

3.2. Articulação

(1) Descrição dos distúrbios.
(2) Descrição dos procedimentos de tratamento.
(3) Ilustração do seu uso clínico dos procedimentos de tratamento.
(4) Comparação com procedimentos metodológico-clínicos de outras matrizes psicanalíticas.
(5) Referências bibliográficas comentadas.
(6) Créditos dos colaboradores.

3.3. Verbetes sugeridos

Agonias impensáveis, consultas terapêuticas, cuidado, cura, depressões, deprivação, dissociação, distúrbios de socialização, distúrbios psicossomáticos, esquizoidia, falso si mesmo, interpretação, manejo, neuroses, medo do colapso, paranoias, privação, psicanálise compartilhada, psicoses, retraimento, regressões, regressão à dependência, setting, squiggles, transferência, tratamento sob demanda, uso terapêutico da falha do analista.

4. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes axiológicos

4.1. Conteúdo

Valores cognitivos e práticos aceitos ou promovidos pela psicanálise winnicottiana.

4.2. Articulação

Identificação de valores cognitivos e práticos da psicanálise winnicottiana.
Análise conceitual.
Procedimentos ou práticas previstas para a realização dos valores.
Comparação com as axiologias de outros paradigmas da psicanálise, das ciências humanas e naturais, e com as normas presentes em diferentes formas da vida social e cultural (posições políticas, religiosas etc.).
Referências bibliográficas
Créditos dos colaboradores.

4.3.Verbetes sugeridos

Agressividade, compadecimento, ética da lei, ética do cuidado, liberdade, moralidade inata, não relacionalidade, sagrado, senso de responsabilidade, sentido da cura, sofrimento, solidão essencial, valor da vida humana, valores.

5. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes sobre os casos clínicos de Winnicott

5.1. Conteúdo

Esses verbetes analisarão os numerosos casos clínicos de Winnicott como fonte de evidência para a aceitação de compromissos teóricos do seu paradigma e como ilustrações dos seus conceitos e das suas teses principais.

5.2. Articulação

(1) Breve apresentação do caso.
(2) Dados factuais sobre as pessoas do caso.
(3) Diagnóstico e etiologia do distúrbio.
(4) Curso do tratamento.
(5) Comentários clínicos (segundo o modelo do caso Piggle).
(6) Comentários teóricos (segundo o modelo do caso Piggle).
(7) Comentários sobre interpretações alternativas dos mesmos casos encontradas na literatura.
(8) Comentários sobre possíveis interpretações no quadro do paradigma freudiano, considerado em suas diferentes versões (S. Freud, Anna Freud, M. Klein, W. R. Bion, J. Lacan).
(9) Referências bibliográficas.
(10) Créditos dos colaboradores.

5.3. Verbetes sugeridos

Caso Piggle, caso B, caso da moça da tartaruga, caso Bob, caso Patrick, entre muitos outros.

6. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes sobre a psicanálise winnicottiana aplicada

6.1. Conteúdo

Esses verbetes tratarão da aplicação da psicanálise de Winnicott ao estudo de diferentes aspectos de vida social, econômica, política e cultural, e da história (estruturas sociais, moral, religião, arte em geral).

6.2. Articulação

(1) Escolha e caracterização do aspecto a ser estudado.
(2) Especificação das teses e dos conceitos winnicottianos usados no estudo do aspecto escolhido.
Comparação com procedimentos e resultados de estudos do mesmo item realizados à luz da psicanálise tradicional ou de outras ciências, humanas ou naturais.
Referências bibliográficas.
Créditos dos colaboradores.

6.3. Verbetes sugeridos

Arte, assistência social, democracia, experiência cultural, educação, família, guerra, monoteísmo, moral, prevenção, religião, saúde individual, saúde social, socialização, sociedade.

7. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes profissionais

7.1. Conteúdo

Estudo de contatos intelectuais de Winnicott, em particular, de seus diálogos com outros psicanalistas, com o intuito de reconstruir a história da psicanálise e da pediatria do ponto de vista winnicottiano.

7.2. Articulação

(1) Apresentação de dados sobre o conteúdo.
(2) Exame da relevância para:
a) a biografia winnicottiana,
b) o desenvolvimento do seu paradigma ou
c) o surgimento de grupos e instituições winnicottianas.
(3) Referências bibliográficas comentadas.
(4) Créditos dos colaboradores.

7.3. Verbetes sugeridos

(1) Winnicott médico pediatra e a pediatria.
(2) Winnicott e Freud.
(3) Winnicott e os principais expoentes da psicanálise tradicional: Anna Freud, M. Klein, W. R. Bion, J. Lacan.
(4) Winnicott e os articuladores do paradigma freudiano: H. Hartmann, E. Kris, M. Mahler, M. Sèchehaye, Ph. Greenacre, E. H.Erikson.
(5) Winnicott e os dissidentes: C. G. Jung, S. Ferenczi, A. Balint, M. Balint, W. R. D. Fairbairn, J. Bowlby.
(6) Winnicott e os junguianos: M. Fordham.
(7) Winnicott e os “winnicottianos”: Masud Khan, M. Little, M. Milner

8. Conteúdo, articulação e lista inicial de verbetes institucionais

8.1. Conteúdo

Dados e históricos institucionais e de atividades institucionais relacionadas a Winnicott.

8.2. Articulação

(1) Winnicott nas instituições.
(2) Relevância de dados institucionais para a compreensão da obra winnicottiana.
(3) Instituições winnicottianas atuais.
(4) Questões relativas à institucionalização da psicanálise winnicottiana.
(5) Referências bibliográficas
(6) Créditos dos colaboradores.

8.3. Verbetes sugeridos

BPS, IPA, Tavistock Hospital, Winnicott Trust, Squiggle Foundation, SBPW, IWA, Grupos-membros da IWA, IRG-WP.

9. Conteúdo, articulação e lista de verbetes pessoais

9.1. Conteúdo

Descrição de dados pessoais, com base na obra de Winnicott e outras fontes.

9.2. Articulação

(1) Apresentação de documentos relevantes.
(2) Iconografia winnicottiana (fotos, documentos etc.).
(3) Comentários dos verbetes pessoais do ponto de vista da sua relevância para a compreensão da obra e para a biografia de Winnicott.
(4) Referências bibliográficas.
(5) Créditos dos colaboradores.

9.3. Verbetes sugeridos

Amigos de Winnicott, analistas de Winnicott, casamentos de Winnicott, relações familiares.