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Sentidos do sem-sentido

sexta-feira 3 de outubro de 2014, por Equipe

O fenômeno da psicose nos provoca com seus sem-sentido. A produção do saber vista através dos enunciados que fazem estes pacientes nos leva a formular um determinado modo de construir o que é o objeto do conhecimento. No campo da linguagem a psicose mistura dizer e fazer, revelando o caráter pragmático da linguagem e colocando a comunicação em xeque. Após fazer um percurso explicitando um modo de entender a produção do conhecimento, e a apresentação do que é a produção dos enunciados, é possível entender a noção de sentido como aquilo que vem antes de qualquer significação. Estabelecido o que se entende por sentido analisa-se a psicose no que diz respeito à expressão semiótica. Essa análise leva a identificar três grandes estados em que se apresenta o sentido: enquanto inexpresso e apreendido no corpo como sensação sem-sentido, como expresso por signos ou sistemas de signos que são estrangeiros aos significados usais, e como expressão que compartilha de zonas de regularidade parcial de significação social. O sentido passa a ocupar o plano central de todo trabalho clínico, agora já diferenciado da significação, e servindo como elemento comum à análise da neurose e da psicose.

Bibliografia

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ENCICLOPÉDIA EINAUDI Vol. 2 - Linguagem e Enunciação, Vila da Maia, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1984.

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psicose, linguagem, sentido, atos da linguagem, acontecimento